Genetica e Treinamento

12 03 2010
CAVALOS DE COMPETIÇÃO
 

      Além do sal mineral que deve ser oferecido sob qualquer circunstância ao animal, o cavalo pode ter a necessidade de alguns elementos minerais conforme as circunstâncias.

      A Performance Esportiva é fruto de 03 fatores: GENÉTICA x TREINAMENTO x ALIMENTAÇÃO.

      Neste artigo vamos ressaltar os dois primeiros fatores, pois a alimentação merece um destaque à parte.

     

      1. GENÉTICA:

      Feita pelo homem para adaptar o cavalo às suas necessidades e desejos. Como por exemplo, o cavalo Quarto de Milha, selecionado para a distância de 402 metros, imbatível nesta corrida, bem destacado nas provas de rédeas e trabalho assim como o Crioulo; os cavalos Mangalarga Marchador, selecionados pela sua comodidade; os cavalos Anglo-Árabe selecionados pela sua resistência e leveza em transpor obstáculos; os animais de tração com uma estrutura e força invejáveis, etc.

      Esta genética é a que procura, através de seleção de exemplares característicos, transmitir determinados genes à sua descendência.

      Nos animais de esporte, mais especificamente, estes genes são os que determinam a predominância dos tipos e qualidades das fibras que predominam no animal.

      O primeiro tipo de fibra, de contração lenta, tipo I, é um trabalho essencialmente aeróbico (como o enduro), utilizando-se lipídeos como principal fonte de combustível, oriundo principalmente de reservas corpóreas e um pouco da alimentação diretamente. O principal sub produto da queima de combustível é o CO2 com baixa produção de calor.

      Para animais de trabalho anaeróbico de duração mais longa, onde se mescla com aerobismo (como o salto), predominam as fibras rápidas do tipo IIA que utilizam glicídios como fonte energética e um pouco de reserva corpórea. Além disso, o principal sub produto da queima de combustível é o CO2 com baixa produção de calor.

      Para animais de trabalho essencialmente anaeróbico (como os quarto de milha e Puro Sangue Inglês), predominam as fibras rápidas do tipo IIB, que utilizam glicídios como principal fonte energética e muito pouco de reserva corpórea. Além disso, o principal sub produto da queima de combustível é o ácido lático com alta produção de calor.

      Mas o trabalho da genética se encerra no momento em que uma égua emprenha de um garanhão, porém ele é fator limitante essencial para determinar o tipo de trabalho e a intensidade do esforço que o animal selecionado suporta.

     

      2. TREINAMENTO:

      O treinamento de cavalos para esporte é específico para cada esporte e deve ser delegado a profissionais especializados. Alguns cuidados gerais devem ser tomados para que se possa alcançar a melhor performance e grande longevidade (o cavalo compete até idade mais avançada).

      A base do treinamento deve ser buscar potencializar as características genéticas do animal, além, é claro, da preocupação com o esporte a ser competido. Isto é, para cavalos de explosão, como puro sangue inglês e quarto de milha, o trabalho deve ser feito priorizando-se as fibras de contração rápida, que utilizam principalmente glicose como fonte energética, sendo um trabalho principalmente anaeróbico. Desta forma, o treinamento destes animais deve ser intenso, porém por um curto espaço de tempo, e não por duas a três horas diárias. Ao se trabalhar estes animais por um longo tempo diariamente, começa-se a priorizar a utilização de uma fonte energética, como lipídeos, que não será disponível na competição, assim como estimulará as fibras lentas, não utilizada em trabalho de explosão.

      Da mesma forma ocorre com os animais que trabalham por mais tempo, onde o treinamento deve ser condizente com o tipo de trabalho a ser executado.

      Entretanto, para uma boa saúde mental do animal, para um ótimo equilíbrio psíquico, sempre deve-se alternar, ao menos uma vez por semana, o tipo de trabalho executado. Se o cavalo é de explosão, onde o treinamento diário é essencialmente no picadeiro, devemos realizar um trabalho de exterior de 60 a 90 minutos uma vez por semana. E claro que, para animais de marcha e enduro, onde o trabalho de exterior é priorizado, uma vez por semana realizar um trabalho de picadeiro é bastante interessante.

      A relação cavalo e cavaleiro deverá ser intensa, porém jamais um cavaleiro inexperiente deverá trabalhar um cavalo inexperiente. O que um não tem de experiência, o outro deve ter.

      O principal efeito do treinamento no cavalo deve ser um aprendizado psicológico, com condicionamento físico gradual, ensinando ao cavalo o que, quando e como fazer.

      Antes do treinamento, a doma deve se bem feita e iniciada após os 36 meses de idade, quando as estruturas do cavalo já estão bem consolidadas.

      Deve-se primordialmente conquistar o cavalo e não subjugá-lo.

      Após a doma, iniciar trabalhos de adestramento básico é muito importante para que o cavalo aprenda a responder rapidamente aos comandos do cavaleiro.

      Para qualquer esporte, o cavaleiro deve ter uma iniciação de equitação fundamental para saber quando e como enviar os comandos ao cavalo de forma que ele responda rapidamente.

      Deve-se iniciar o treinamento com trabalho cerca de 03 vezes por semana, 20-30 minutos diários e ir aumentando gradativamente.

      O treinamento mínimo para competição deve ser de 18-24 meses, dependendo das condições do animal.

      Este período mínimo de treinamento é devido à adaptação fisiológica que as estruturas do cavalo devem ter para suportar uma competição, e este período de adaptação das estruturas é variável:

      · Pulmão e Coração: 3 meses de treinamento;

      · Músculos: 5 a 6 meses de treinamento

      · Tendões, Ligamentos e Articulações: 8 a 12 meses de treinamento.

      · Ossos: Até 03 anos de treinamento

      A grande dificuldade de se aguardar o período necessário para se iniciar a competição, é que os parâmetros utilizados para observarmos se o animal está em bom estado atlético é a observação de batimento cardíaco, freqüência respiratória e musculatura, que se adaptam rapidamente às condições de competição. Enquanto que, as estruturas que sofrem alto impacto em uma competição (tendões, ligamentos e articulações) demoram de um a três anos para estarem aptas.

      Respeitando-se os limites do cavalo, que a própria natureza lhe impõe, teremos um animal apto a competir por muito mais tempo, até os 20 anos de idade ou mais, desde que, é claro, procuremos também uma alimentação adequada por toda a vida, mas isso já é outra história.

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O que diz o cavalo com o corpo ?

11 03 2010
O porte de um cavalo revela muito sobre o seu estado de espírito. De um modo geral, quanto mais elevado for o porte, mais excitado está o animal.

À medida a excitação aumenta, todo o corpo parece crescer e tornar-se mais imponente. A cabeça mantém-se erguida e a cauda está orgulhosamente levantada. Por outro lado, quando a excitação diminui e ele está sonolento, enfastiado ou submisso, a cabeça e cauda pendem, o corpo verga-se, o que faz o animal parecer mais pequeno. Esta manifestação vertical – do animal cheio de vida – é compreendida claramente pelos seus companheiros, que reagem de modo adequado. Ela faz parte da linguagem corporal dos cavalos, e é utilizada sempre que se encontram.

Esta norma vertical é quebrada apenas quando o grau de excitação atinge um ponto em que eles partem a galope. Então, as exigências físicas da locomoção a alta velocidade forçam o corpo do cavalo a uma postura mais esguia e horizontal, apesar do elevado grau de excitação. Para além da tonicidade muscular, existem três mensagens corporais que podem ser lidas com facilidade. São elas a repressão com o corpo, o empurrão com o ombro e a apresentação da garupa.

A repressão com o corpo é utilizada por um animal dominador que deseja impedir os movimentos de um rival. É uma forma de ameaça que diz «Aqui mando eu». O animal que intimida coloca o corpo em frente do do outro, em sentido perpendicular, e impede-o de avançar. Isto coloca este último animal num dilema. Ou reage ao desafio e tenta forçar o caminho para avançar, ou deixa-se dominar, virando-se e ficando humildemente onde está, ou voltando para trás e indo-se embora. Nesta situação, se recuar, está a admitir a derrota e a reconhecer que o outro cavalo é superior. Isto porque o acto de se afastar é uma mensagem específica utilizada por cavalos quando lutam. O movimento do cavalo que reprime forçando o rival a enfrentá-lo ou a declarar activamente a sua inferioridade é, portanto uma maneira conveniente de reforçar o seu estatuto no grupo sem ter de recorrer a lutas perigosas.


O empurrão com o ombro é uma versão mais activa de repressão com o corpo; o animal que ameça vai mais longe na manifestação visual, tocando no rival e empurrando-o. Uma das razões porque há tantas objecções e inquéritos nos hipódromos é que, se um jóquei incitar deliberadamente o seu cavalo a empurrar um cavalo rival com o ombro, este último não só vê o seu caminho obstruído, como se sente psicologicamente intimidado. No pólo equestre, esse mesmo movimento é utilizado deliberadamente como parte aceitável do desporto, sendo considerado um bom pónei para o pólo aquele que está sempre disposto a empurrar os outros póneis.

A apresentação da garupa é utilizada como uma manifestação defensiva. O cavalo em causa apenas se volta, de modo a oferecer um coice. Esta é uma forma de ameaça e diz: «Se não deixares de me aborrecer, dou-te um coice». Tem origem na colocação do corpo em posição de dar coices e actua como aviso de um possível ataque. Os outros cavalos aprendem rapidamente a reconhecer estas etapas preparatórias de acção e reagem a elas, sem esperarem pelo resto do movimento.

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Poldros – O Desmame

5 03 2010



function validacampos() { if(frm2.Base.value == 0) { alert(‘Por favor escreva um valor.’); document.frm2.Base.focus(); return false; } } function envia(){ document.frm1.submit(); }

Dr. Carlos Rosa Santos

O desmame é, em geral, um dos acontecimentos que provoca mais ansiedade e confusão na vida de um cavalo jovem. Uma série de recentes estudos científicos debruçaram-se sobre a maneira como os poldros respondem ao desmame nas várias idades e usando técnicas diferentes de separação.

O resultado destes estudos forneceu muito material que merece ser considerado com muita atenção tanto pelos criadores amadores como pelos profissionais.

Em liberdade, as éguas, geralmente, só desmamam os seus poldros quando estão perto de dar à luz novamente e permitem-lhes mamar até aos 16 meses.

Durante a amamentação o poldro pode despender mais tempo dormindo e movimentando-se, incluindo brincar com os seus amigos e longas explorações do seu meio ambiente. Depois do desmame, um sempre crescente tempo terá de ser consumido à procura da alimentação.

Na situação doméstica, o desmame é levado a efeito, normalmente, entre os três e oito meses de idade – alguns criadores optam por fazer o desmame muito cedo.

Diversos sistemas artificiais de desmame têm sido utilizados através dos anos, com a escolha do sistema largamente dependente das facilidades que dispõem, número de poldros que vão ser desmamados, preferência dos donos ou gerentes das coudelarias, tendo em conta a época de venda dos “stocks” de novos cavalos e ainda do calendário de provas.

Os métodos tradicionais de desmame são geralmente totais e abruptos, envolvendo uma súbita e permanente separação da égua e do seu poldro. Os poldros desmamados podem, subsequentemente ser mantidos em completo isolamento ou agrupados com outros jovens da mesma idade. Esta grupagem proporciona uma situação mais natural aos jovens poldros pois a estes é a dada opção, raramente ficam sozinhos.

Recentes estudos sobre os resultados dos vários métodos de desmame dos poldros sugerem que os poldros desmamados com técnica de parcial e gradual separação, exibem menos sinais de ansiedade do que aqueles desmamados por métodos de total e brusca separação, sendo estes últimos mais usados na moderna indústria de cavalos – geralmente, considerados mais práticos e viáveis pelos proprietários e criadores.


O MANEIO DO DESMAME

Na situação doméstica o desmame representa um dos mais marcantes períodos na vida dos poldros e tem sido sugerido como fonte de ansiedade emocional em muitas espécies de animais.

As experiências do início da vida são importantes, porque podem afectar a capacidade de aprendizagem e de treino bem como, duma maneira geral, o comportamento do cavalo na sua vida futura.

Diversos sistemas artificiais de desmame são vulgarmente usados na indústria dos cavalos. Os poldros são frequentemente vacinados e desparasitados encabrestados durante o período de desmame. Alguns sistemas usados não permitem o acesso dos poldros às manjedouras antes de serem desmamados, o que pode vir a afectar a alimentação, após o desmame dos poldros que não estejam a consumir rações adequadamente correspondentes às suas necessidades nutricionais.

De facto os poldros demonstram significativas diferenças no consumo de rações e no peso que adquirem com os diferentes regimes de desmame a que estão submetidos.

Dependendo do grau de stress e/ou doença que possa ocorrer no período de desmame, um poldro pode levar várias semanas a recuperar e atingir o seu anterior ritmo rápido de crescimento.

Reveses ao processo de desmame pode atrasar o crescimento, resultando em poldros mais pequenos que os seus pares no fim do Outono/Inverno. Isto pode ter implicações económicas para os criadores. Alem disso, tem sido tentado estimular um crescimento rápido que compense o atraso, usando dietas concentradas, que podem resultar em anormalidades no crescimento dos membros e no desenvolvimento de desordens ortopédicas.

TECNICAS DE DESMAME

Os poldros podem ser desmamados alguns dias ou semanas depois de nascidos quando circunstâncias não rotineiras ocorrem (tais como rejeição pela égua, orfandade ou traumas no úbere da mãe). Desmame na primeira semana de vida tem sido considerado menos traumático para o poldro do que o desmame feito mais tarde, nestas circunstâncias pouco vulgares.

No entanto, tem sido levantadas preocupações sobre os efeitos do desmame, feito muito cedo, no ritmo de crescimento dos poldros. Por isso, o desmame pós-natal, para ter sucesso, deve ter m conta, muito cuidadosamente, o aspecto das necessidades nutricionais.

As influências do comportamento da mãe durante os primeiros meses de vida também não se farão sentir, pelo que ao poldro faltarão os normais cuidados e ligação maternal. Problemas sociais poderão surgir mais tarde quando os cavalos jovens são agrupados com outros que tiveram um crescimento em condições normais; p.ex. os órfãos são frequentemente, perseguidos pelos outros jovens cavalos do bando, e isto deve ser assinalado.

É pois importante, que se tenha muito cuidado quando se agrupam jovens cavalos, particularmente se alguns deles são indivíduos muito dominantes ou agressivos.


DESMAME AOS 2 – 3 MESES

O desmame feito tão cedo como a 2 – 3 semanas após o nascimento, é uma prática comum na indústria dos cavalos. Tem sido sugerido que os laços égua/poldro começas a enfraquecer nesta fase de desenvolvimento. A nutrição é aqui novamente o factor chave para assegurar um padrão de crescimento normal dos poldros desmamados nesta idade.

Interacções sociais e o estatuto hierárquico dentro dos grupos de cavalos jovens podem também ser afectados pelo desmame. Alguns estudos têm demonstrado que poldros de éguas dominantes tendem a ser dominantes dentro dos seus próprios grupos.

A idade do desmame pode também impor um forte determinante no estatuto social já que os poldros maiores podem dominar os menos desenvolvidos e mais fracos. Disto pode advir que poldros dum baixo nível social comam menos devido à competição, e não lhes seja permitido descansar ou deitarem-se para dormir em paz.

DESMAME AOS 4 – 6 MESES

Desmame completo, frequentemente usando técnicas de abrupta separação aos 4 – 6 meses de idade é a prática mais comum usada na industria dos cavalos. Proprietários ou gerentes de coudelarias pensam que deixar o poldro com a mãe para além desta idade põe consideráveis exigências nas reservas de energia da égua, o que certamente ocasiona a perda de condições físicas. Se a égua está prenhe de novo, certamente é importante ter isso em consideração. Alternativamente podem querer controlar o regime alimentar dos poldros e influenciar o ritmo de crescimento dos jovens cavalos antes de serem vendidos.

Técnicas de manuseamento frequentemente usadas incluem desmame na cavalariça (abrupto desmame geralmente com completa separação e isolamento dos outros cavalos, envolvendo um substancial período de reclusão na boxe). Algumas vezes isto é feito com pares de poldros, desmame em celeiro (abrupto desmame que é geralmente levado a efeito com pequenos grupos de jovens cavalos mantidos juntos e soltos portas adentro); o desmame feito em cercados (abrupto desmame geralmente com grupos de poldros mantidos juntos em campo aberto). As éguas são removidas gradualmente, sendo ocasionalmente deixadas uma ou duas “amas” com os jovens cavalos.

DESMAME AOS 6 – 8 MESES

Os criadores podem demorar o desmame até que os poldros atinjam os 8 meses de idade partindo do princípio que os poldros estão nesta altura melhor equipados, tanto física como mentalmente, para serem separados das mães. Esta altura é de facto a mais aproximada à do desmame, quando em liberdade, onde as éguas normalmente não desmamam os seus poldros até algumas semanas antes da chegada do novo poldro.

DESMAME NATURAL

Se uma égua não está destinada a ser coberta tão cedo, muitos proprietários decide que permitir a natureza a seguir o seu curso é a melhor opção. 

A égua e o seu filho são mantidos juntos nos pastos possivelmente com outros cavalos.A mãe irá gradualmente desmamando o filho evitando, activamente, que ele mame tantas vezes – isto pode ser feito em 10 meses ou mais e uma dieta alternativa para substituir o leite da égua, pode ir sendo introduzida.

DESMAME GRADUAL VERSUS ABRUPTO DESMAME

A resposta dos poldros ao abrupto desmame e ao gradual desmame tem sido examinada por vários estudos recentes. As conclusões a que se tem chegado sugerem que alimentação em manjedoura e a gradual separação da mãe são, ambas, formas de reduzir o stress e a ansiedade que se observa nos poldros na época do desmame.

A separação gradual pode, quando se trata da situação de proprietário de um só cavalo, surgir muito naturalmente dado que a égua é montada apenas por pouco tempo diariamente durante o período final do aleitamento. O poldro pode ficar com outras éguas e poldros ou pode ser encaminhado por pessoas durante o período inicial quando a mãe está ausente.

Também durante o desmame, é muito melhor manter os jovens cavalos juntos em pares ou grupos num ambiente não muito restritivo. Isto permite que se movimentem e brinquem o que é o mais natural para animais de manada como é o cavalo.

A IMPORTÂNCIA DO USO DO MÉTODO CERTO DE DESMAME

A fim de atingirem o completo crescimento do seu potencial de valor e produtividade os poldros não devem ser submetidos a demasiado stress, nem durante nem após o período de desmame.

Estudos recentes confirmam o facto de que os poldros que foram abruptamente desmamados demonstram maiores sintomas de stress e emotividade (p.ex. maior vocalização, actividade locomotora, aumento do nível hormonal de stress), do que poldros desmamados por métodos graduais.

Animais altamente stressados têm respostas menos eficientes de imunidade, e portanto poderão ser mais susceptíveis às infecções e doenças neste período crítico das suas jovens vidas. Perda de peso é outro dos efeitos secundários muito comum ao estado de ansiedade e angústia neste período de desmame.

Reduzir a perda de peso, ferimentos, doenças e atitudes de ameaça com a diminuição do stress e um maior relaxamento do estado emocional durante este período de desmame pode ser considerado um benefício potencial – de significado económico além do aspecto do bem-estar – para os donos dos cavalos e os gerentes das coudelarias que são cuidadosos e interessados nas práticas de desmame que usam.

FONTE EQUISPORT-PT


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HEMOLITAN JCR – Seu cavalo atleta “turbinado”!!

4 03 2010

O Hemolitan JCR é uma versão “turbinada” do Hemolitan da VETNIL, um dos mais tradicionais e renomados produtos da marca. Ambos são suplementos que combinam vitaminas e oligoelementos, envolvidos direta ou indiretamente na formação das células sanguíneas. O diferencial do Hemolitan JCR é seu conteúdo mais elevado de Vitamina B12, Ácido Fólico e Ferro, elementos que auxiliam no metabolismo das hemácias.

O Hemolitan JCR é um valioso complemento para animais em condições nutricionais inadequadas. Mesmo em animais saudáveis, a suplementação com Hemolitan JCR, nas quantidades indicadas para cada categoria animal, é importante, seja para o crescimento ou até para uma melhor resposta ao treinamento intensivo. Algumas indicações típicas são: animais sujeitos a stress repetido por viagem para exposições e campeonatos; animais em regime intenso de treinamento, ou que trabalhem diversas horas por dia; garanhões em plena temporada de monta. Também no período crítico de crescimento dos potros, que começa no último trimestre da prenhez da égua-mãe e vai até os 18 meses de idade, com especial atenção devendo ser dada à fase do desmame. O uso de Hemolitan JCR otimiza o crescimento e maximiza o desenvolvimento do potencial atlético pleno dos jovens futuros campeões.

O condicionamento físico cotidiano é importante para maximizar a ação do HEMOLITAN JCR, bem como de todo suplemento nutricional.

Na maioria dos casos, a dose indicada de Hemolitan JCR é de 20 ml diários para animais adultos e 10 ml ao dia para potros de até 18 meses de idade. Converse com seu médico veterinário a respeito de outras técnicas de utilização, ou da possibilidade de associação deste com outros produtos da Linha JCR e/ou VETNIL para efeito máximo no tratamento de seus cavalos atletas.

Caso tenha dúvidas a respeito da utilização deste ou de outros produtos VETNIL, entre em contato com a nossa equipe através do e-mail vetnil@vetnil.com.br . E aproveite para visitar o site www.linhajcr.com.br .





Aprender a Montar

2 03 2010

Para aprender a montar, o fundamental para ser bem sucedido mantém-se, quer seja o seu objectivo atravessar belas paisagens em passeios pelo campo, quer tenha sonhos de competir internacionalmente: um óptimo professor, um cavalo adequado e um ambiente seguro. Perante a vontade de aprender, aspectos como a idade e a existência de uma deficiência são aspectos irrelevantes, devendo, neste último caso, existir um aconselhamento médico e procura de uma escola e um professor qualificados.

Caso surja oportunidade de montar um cavalo ou um pónei de um amigo deve sempre adquirir bases sólidas podendo, para além de fazer aulas de equitação, pedir conselhos aos seus amigos com experiência na área e procurar em revistas de equitação as opções que lhe convém. Encontrar uma boa escola de equitação que lhe dê estas bases não é difícil, por exemplo em Inglaterra, a garantia de altos desempenhos é dada pelas escolas membros da Associação das Escolas de Equitação Britânicas e a aprovação pela British Horse Society reconhecida mundialmente; nos Estados Unidos, existe o Programa de Certificação do Instrutor de Equitação Americano, embora, segundo a Federação Equestre Nacional dos Estados Unidos, existam só instrutores que não cumpriram este programa.

Escolher uma Escola de Equitação:

Após ter feito uma pesquisa de possibilidades, faça uma visita as instalações e assista a uma aula para principiantes. Para avaliar a qualidade de uma escola deve ter em conta alguns pontos essenciais:

  • Cavalos e póneis que aparentem estar em boa forma e serem amigáveis;
  • Cavalariças limpas;
  • Arreios e equipamentos limpos e em boas condições;
  • Estábulos, vedações e campos bem arranjados;
  • Empregados simpáticos, alunos que pareçam satisfeitos e professores competentes.

Todavia, deve ficar reticente se observar:

  • Cavalos em más condições físicas e que ameaçam morder ou dar coices;
  • Ferramentas e equipamento espalhado ao acaso;
  • Arreios sujos ou partidos;
  • “Paddocks” de má qualidade e edifícios e vedação em mau estado;
  • Empregados antipáticos e professores rudes.

O Equipamento Essencial para montar:

O mais importante na compra de equipamento é você sentir-se confortável e seguro. É essencial uma protecção para a cabeça, ou “toque”, que tenha um tamanho adequado e obedeça aos padrões de segurança, assim como calçado seguro: as botas jodhpur ou as botas de borracha são uma solução muito pouco dispendiosa. Usar botas de sola rígida ou calçado desportivo torna-se perigo dado que podem escorregar para dentro dos estribos ou estes podem ficar na ponta dos pés.

Caso não queira investir em calções de montar no início, opte por roupas nem muito largas nem muito apertadas, calças sem costuras de lado (são muito mais confortáveis que “jeans”) e umas luvas de algodão ou lã. Pode também adquirir um colete de protecção, quando iniciar o salto de obstáculos, principalmente em “cross country”.

As primeiras lições:

As primeiras aulas devem ser individuais, podendo mais tarde ter lições em grupo onde tirará mais proveito e divertimento.

Provavelmente no inicio, sentir-se-á um pouco nervoso e surgir-lhe-ão questões tais como:

  • Será que vou fazer figura de “parvo”?
  • Será que vou perder o controlo?
  • Será que vou cair e magoar-me?
  • Será que vou ter dores depois de montar?

A resposta deve ser sempre não. O professor deve estar sempre no controlo, escolhendo um cavalo calmo e experiente e conduzi-lo por uma guia (uma rédea longa com que se controla o cavalo enquanto este anda em círculo), assim, só tem que seguir as indicações e fundamentos do professor, ficar bem concentrado e adaptar-se ao movimento do cavalo.

No inicio, o ideal é montar uma vez por semana, no entanto se o fizer duas vezes por semana vai progredir mais rapidamente. Entre as aulas pode nadar, pedalar ou saltar á corda pois estes exercícios ajudam a tonificar os músculos que são utilizados quando monta.

Comunicar com os Cavalos:

Ao aprender a montar você também vai estar a apreender a comunicar com estes animais.

A sua postura quando se senta em cima do cavalo é muito importante, e não é apenas para ficar bonito, mas também para que consiga dar indicações ao cavalo com o assento, as pernas, as mãos e também a voz. A primeira coisa a aprender é manter o equilíbrio a passo, depois a trote e em seguida o galope.

No passo, deve conseguir contar até 1,2,3,4 ao ouvir as batidas dos cascos; no trote o ritmo é 1,2 à medida que o cavalo avança as pernas em pares de diagonais; no galope o cavalo já se move a um ritmo de 1,2,3. A galope o cavalo dá passadas maiores com um dos membros anteriores, assim ao galopar em círculo, este membro deve ser o do lado de dentro devido ao equilíbrio. Nenhum cavaleiro, nem mesmo os melhores, deixa de aprender e é sempre necessário muita prática. Pode ter em conta os seguintes conselhos:

  • Não olhe para baixo mas sempre para onde quer ir;
  • Não sustenha a respiração, pois fica mais descontraído;
  • Ao segurar as rédeas pense que têm um passarinho nas mãos agarre-o para que não fuja mas não o aperte para não o magoar;
  • Ao trotar ou a galopar tente captar o movimento com a cintura; um bom cavaleiro apesar de parecer que está quieto acompanha o movimento do cavalo.

Compreender a mentalidade do Cavalo:

Para aumentar a sua confiança tente apreender a lidar com os cavalos e a pensar como eles: sempre que possa mexa, limpe e aparelhe os cavalos, ao mesmo tempo que fala com eles calmamente: evite os gestos bruscos e sons fortes, pois até o pónei mais dócil pode assustar-se com estes estímulos.

O cavalo, têm um ângulo de visão de aproximadamente 360º, com um ângulo morto à frente, devido aos seus olhos estarem nos lados da cabeça. Utilize a linguagem corporal para comunicar com os cavalos, (por exemplo: se os olhar directamente nos olhos, têm tendência para se afastarem), mas sempre aproximando-se por um lado em que o possam ver.

Fazendo Progressos:

Ao longo da sua aprendizagem, não deve resistir ao deparar-se com obstáculos difíceis de ultrapassar ou se não tiver uma evolução contínua, deve procurar o seu professor sempre que algo o preocupa.

A etapa que sucede à aprendizagem das bases à guia é montar em escola num recinto fechado. Geralmente este recinto tem à volta letras A, K, E, H, C, M, B e F, que não têm um significado conhecido mas a frase em inglês “All King Ed ward´s Horses Can Manage Big Fences” é uma boa mnemónica. Estas letras servem de ponto de referência ao fazer os círculos. Pode juntar-se a um grupo para fazer aulas em campo aberto, após ter conseguido andar a passo, trote e galope com segurança. Isto vai ajudá-lo a ganhar confiança e também a aperceber-se que os cavalos se tornam mais atentos ao que os rodeia nesse meio que em recinto fechado.

Observar cavaleiros mais experientes, (a trabalhar, em vídeo, em competição vai também ajudá-lo pois vai ter uma noção visual da maneira correcta de montar podendo isso influenciá-lo.

Trabalho sobre Obstáculos e Trabalho no Plano:

Trabalhar sobre cavaletes e obstáculos pequenos só lhe vai trazer vantagens, mesmo que goste de sentir os pés do seu cavalo bem assentes no chão: para além de incentivar o cavalo a fazer uso dos membros posteriores no trabalho vai ensinar-lhe a captar o ritmo do cavalo, a coordenar os movimentos e a equilibrar-se. O cavalo cria a sua impulsão (energia) na parte de trás, na garupa e nos membros posteriores, enquanto que essa energia é controlada e dirigida pelas suas mãos, é por isso que os saltos e o trabalho no plano são actividades que se complementam.

A sua iniciação nos saltos irá ser feita com varas no chão e cavaletes. Vai aprender a montar sobre linhas de varas paralelas cuja distância vai ser adequada as passadas do cavalo. Com o passar do tempo o percurso de obstáculos vai fazer combinar todas as técnicas que aprendeu.





Atrelagem nova modalidade da Confederação Brasileira de Hipismo

26 02 2010

A mais nova modalidade regida pela Federação Equestre Internacional (FEI), a atrelagem agora é reconhecida pela CBH. Em 2009 a modalidade teve diretoria constituída, palestras com uma juíza internacional e curso de formação de juizes, o calendário de competições do esporte estréia em 2010.

A Federação Equestre Internacional (FEI) reconheceu as competições de Atrelagem esportiva em 1970, apesar das mesmas serem praticadas há mais de 20 anos nos países da Europa e América do Norte.

Nas competições oficiais FEI é realizado o Concurso Completo (Adestramento, Maratona e Maneabilidade) onde o conjunto é formado pelo condutor, cavalo (s) e groom (s). Vence quem perder menos pontos no total das 3 provas.

fonte hipismo & co blog


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O Ensino do Cavalo de Obstáculos

25 02 2010

Da leitura deste artigo poderão perceber com facilidade o motivo das três edições do livro “Equitação: Como e Porquê”, do Coronel Eduardo Netto de Almeida, terem esgotado. O pragmatismo e a fluência da escrita, associados à técnica, constituem também neste artigo, a melhor forma de nos mostrar o contributo do ensino, na preparação para o objectivo final do cavaleiro de obstáculos – o “percurso limpo”.

RAMADAN a galope montado pelo meu neto

Texto: Coronel Eduardo Netto de Almeida

1 – COMO SE FAZIA DANTES

Há bastantes anos venho reparando que as rédeas de oposição estão fora de moda, facto contra o qual nada tenho a opor, desde que a sua prática seja substituída por outra filosofia. Mas agora que tenho estudado com um pouco mais de pormenor alguns livros de equitação mais recentes, estou deveras preocupado por reparar que não há filosofia de substituição.

O que é a equitação? Há várias definições que me satisfazem, mas uma das que mais gosto é a de que EQUITAÇÃO É EQUILÍBRIO. Na realidade ensinar o cavalo a fazer o que quer que seja sem nos importarmos com o domínio do seu equilíbrio pelo cavaleiro, não é equitação. E não é equitação pelo simples facto de eu o afirmar. Não é equitação porque não é possível levar o cavalo a desenvolver todas as suas potencialidades sem o domínio do equilíbrio. Tal e qual como no ballet.

Mas o que é o equilíbrio? É a mais adequada repartição do peso pelos vários apoios (leia-se: membros) do cavalo de modo a colocá-lo nas melhores (leia-se: mais fáceis) condições para executar, com correcção, o exercício que o cavaleiro pretende. E este peso pode ser colocado pelo cavalo seja nos anteriores, seja nos posteriores; seja numa espádua ou numa anca. Ao cavaleiro cabe a tarefa de lhe impor essa distribuição tanto para que ele se encontre em cada momento no melhor equilíbrio, como para o impedir de sair dele. Porque não tenhamos dúvidas de que a maioria dos cavalos, por preguiça, não se importa de fazer piaffer sobre as espáduas ou de derrubar um obstáculo só para não ter que colocar o seu peso sobre os posteriores. E os poucos que não procedem assim valem rios de dinheiro. Daí que o cavaleiro deva ter todo o interesse em ser capaz de melhorar as possibilidades dos cavalos mandriões. E isto só se consegue através do ensino.

RAMADAN a ladear a trote montado pelo meu neto

Vamos exemplificar. O meu cavalo, com o equilíbrio que tem (isto é, com o que lhe é fácil de conseguir), faz perfeitamente provas a 1,30m. Será que eu me contento com isto? Será que eu não gostaria de poder ir mais longe com ele e poder entrar nas provas médias que me impõem que salte obstáculos a 1,40m? Se assim é, o que me impede de o fazer? É claro que a falta de controlo do seu equilíbrio me impede de o fazer!

Como é que se ganham provas ao cronómetro, como são todas as barrages? Os factores que intervêm no salto são a impulsão, a velocidade, o equilíbrio e o ponto de batida. Os 3 primeiros definem a forma da trajectória e o último a sua colocação em relação ao salto. Os 3 primeiros estão naturalmente interligados: quanto mais velocidade, mais impulsão e menos equilíbrio. Esta interligação funciona algumas vezes no bom sentido: se eu quero saltar a vala e se optar por muita velocidade, a coisa resulta porque o equilíbrio não me faz muita falta. Mas se eu estiver a disputar uma barrage ao cronómetro e tiver um vertical como último salto, a 50m do anterior, e quiser chegar lá depressa, ao aumentar a velocidade estou a sacrificar o equilíbrio e, portanto, a correr um grande risco. E é nestas ocasiões que o ensino se revela indispensável pois permite desfazer a natural correspondência dos 3 factores indicados.

Se nessa mesma barrage eu quiser fazer uma volta apertada para um vertical e se o cavalo se lembrar de sobrecarregar a espádua de dentro nesse momento, só o ensino me permite contrariá-lo de modo a evitar o toque fatal que me vai estragar a prova.

Posta a definição e a necessidade do equilíbrio vamos estudar um pouco mais a fundo como se consegue, pois é aqui que entram as tais rédeas de oposição. Bem. Não quero ser extremista e obrigar os cavaleiros a seguirem uma terminologia que não é necessariamente obrigatória. Mas a realidade é que, por definição, as rédeas de oposição se executam com uma retenção da frente e uma impulsão de trás. É claro que podemos dizer apenas que para se graduar o equilíbrio é necessário que as pernas empurrem, pedindo ao cavalo que avance mais depressa, e as rédeas o retenham de modo a que o cavalo, entre estes dois pedidos, se veja constrangido a deslocar-se com os posteriores mais avançados e, portanto, capazes de sustentar o seu peso (e também o peso do cavaleiro, é claro) sobre os posteriores. Isto é o mesmo que dizer que “sem retenção não há equilibração”. E é isso que tem que ser acentuado por quem não quer falar em rédeas de oposição.

E era com base neste ensino clássico que nós conseguíamos ter os cavalos a saltarem redondos e calmos. Era assim que nós resolvíamos o grande problema dos cavaleiros de obstáculos: terem cavalos que “alonguem” sem se “abrirem”, e que “encurtem” sem “morrerem”.

Será que estas noções são demasiado avançadas para os cavaleiros que andam nas provas pequenas e médias das nossas pistas? Será que apenas nos temos que restringir a ensinar que o que é preciso, e isso basta, é ensinar que quando o cavaleiro empurra, o cavalo tem que acelerar, e quando o retém o cavalo tem que travar? Será que isto chega para conduzir um cavalo na pista de obstáculos? Se isto chega, o cavaleiro não tem outra solução, quando o seu cavalo dá 3 toques em cada percurso, senão mandá-lo para o talho e comprar outro. Por amor de Deus, isto parece-me tão primitivo que me recuso a aceitar esta solução. Julgo que não tentar ensinar isto aos alunos, pelo menos aos que revelem um mínimo de tacto equestre, é pouco menos que fraudulento. E eu vejo nas pistas rapazes e raparigas que me parecem perfeitamente em condições de assimilar esta noção.

JAMAICA a ladear a trote

É que é perfeitamente desesperante assistir a coisas como a que me aconteceu um dia destes. Fui à roulotte do CANTINHO DO CAVALO, que está em quase todos os concursos do centro e sul do país, para comprar um freio. Devo dizer que me vi um bocado aflito na escolha, porque a variedade era muita mas a qualidade (equestre, não do material) era muito pouco apelativa. E de conversa com o dono do CANTINHO ele perguntou-me como era que o freio “actuava” pois gostaria de aprender para poder responder a clientes que lhe pediam “um freio que fosse bom para o meu cavalo”. É impressionante como os cavaleiros ainda têm a noção de que o ensino do cavalo se faz “com os ferros que se lhe metem na boca”. Não contesto que isso ajuda. Mas que não resolve, não tenhamos dúvidas. E é impressionante ver a variedade de ferros que lá se encontram. E se lá se encontram é porque os compram, é claro.

Mas, apesar disso, ainda um dia destes assisti a um concurso, no qual uma das distribuições de prémios da prova grande demorou um bocado, de modo que os cavaleiros classificados se foram entretendo a “mexer” os seus cavalos. Pois fiquei impressionado com um dos nossos melhores cavaleiros a fazer galope curto. Um galope muito “curtinho” mas com o cavalo completamente aberto, pois não “abria o compasso”. O posterior de dentro não “entrava”, e, claro, o galope tinha forçosamente que ser a 4 tempos. Como é que se pode fazer uma prova “grande” com um cavalo que não se “fecha”? O Brig. Callado é que tinha razão quando uma vez me dizia: “Eu até tinha medo!”

Pois o que eu vejo hoje em dia é que se ensinam os jovens apenas a conduzir os seus cavalos, mas não a ensiná-los. Isto é, verifica-se que os clubes hípicos são “escolas de pilotos” mas não “escolas de equitadores”.

E o que me assusta nos livros de equitação de hoje, é que não encontro referências à “retenção”” como substituto das antigas “rédeas de oposição”.

Mas que os autores têm essa “retenção” sempre presente no seu espírito, disso não tenho dúvidas.

Acabei agora de ler um livro sobre “ensino” que nunca fala de “retenções”, mas, a certa altura, o autor lá se descai, dizendo, no capítulo intitulado “As atribuições das pernas”.

«A pressão das duas pernas, no seu lugar natural (na vertical do assento), deve produzir instantaneamente um aumento da velocidade (põe para diante). A pressão das duas pernas atrás da sua posição natural, deve produzir um ganho de actividade. Isto é, em função das outras ajudas, realizar-se-á sem aceleração do andamento, ou mesmo até com abrandamento. Estas são intervenções que, aproximando-se da cintura abdominal do cavalo, solicitam, logicamente, a entrada activa dos posteriores para debaixo da massa. Entramos aqui no domínio da concentração.»

Por aqui se vê como um autor que, durante todo o livro não se referiu a “retenções”, chega a um ponto em que nada faz sentido se elas não existirem.

Lá que as retenções são difíceis e perigosas para quem não tem um certo “tacto equestre”, é verdade. Mas daí até se querer construir o “edifício equestre” sem elas, vai uma grande distância.

Valha-nos Deus!

Junto algumas fotografias, já antigas, de cavalos do meu filho a trabalhar, não porque pense que estão muito boas, mas simplesmente para mostrar o trabalho clássico que lhes fazemos. Que, de resto, não se destinam a preparar os cavalos para provas de ensino mas, apenas, para pôr os cavalos sobre a mão e a conseguir as “quantidades” de sujeição e equilíbrio necessárias para que possam ser conduzidos nas provas de obstáculos. Repare-se como, no trabalho a galope a perna de dentro de todos os animais entra francamente, para poder sustentar a frente. É que, para aumentar o equilíbrio do galope, o que é preciso é encurtar a distância entre as batidas dos membros que integram a diagonal associada e não a distância entre as batidas dos posteriores ou as dos anteriores. Só assim o cavalo “dá o dorso.

As últimas fotos do SKIPPY estão francamente desfocadas, Mas resolvi mantê-las porque, a primeira está com um galope muito correcto pouco comum em cavalos com este grau de ensino. O compasso está muito aberto e a distância entre os apoios dos posterior direito e do anterior esquerdo é muito curta como deve ser para que o cavalo dê o dorso. A segunda porque apresenta um cruzamento interessante.

Resolvi apresentar estas fotos porque gosto de documentar aquilo que defendo e as críticas que faço, com documentos que mostrem que não me limito a “embarcar” nas teorias dos outros ou em deduções teóricas.








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